Estourem a Bolha

Pode parecer redundante mais um texto de uma desconhecida sobre estes dois assuntos que pipocaram no noticiário e nas timelines em geral, mas falar sobre eles, o que eles têm em comum, é tão importante que não me importo de ser apenas mais uma que fala sobre isso.

Na semana passada, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou o resultado de sua pesquisa sobre a violência contra a mulher. O que chocou e reverberou do Oiapoque ao Chuí foi o dado de que 65% dos brasileiros – homens E mulheres – achavam legítimo uma mulher ser estuprada por conta da roupa que usa. Já nesta sexta-feira, 4 de abril, o instituto informou a população que cometeu um erro (!) e que o dado oficial sobre este pensamento é de 26%.

Erros numéricos não justificam erros culturais, erros ideológicos. Quando julgamos uma mulher pelo tamanho de sua saia, estamos sim cometendo um erro. Roupas não são convites. Cada um veste o que quer e não se veste se quiser também. Justificar a objetificação do corpo feminino por meio das ações e do comportamento da mulher está totalmente intrínseco na cultura brasileira, que se mostra tão machista e retrógrada como há anos e anos atrás.

Quantas mulheres precisarão ainda perder suas vidas, passar por situações de puro terror para todo mundo entender que, antes de sermos homens, mulheres ou que você quiser ser, somos seres humanos e, portanto, somos iguais? Homem não é obrigado a sustentar casa nenhuma, a corda fica curta para este lado também.

E aí que entra o feminismo, o tão temido. Não, feminismo não acha que as mulheres são melhores. Ele apenas acha que elas e eles são iguais. Precisamos e muito do feminismo para poder avançar em tantos âmbitos na nossa sociedade, mas ainda tem gente que vai continuar a viver e a querer viver na bolha do patriarcado. Estourem essa bolha!

Vimos e discutimos também o caso da mulher que foi levada para o hospital por policiais, após a justiça expedir um mandato judicial que a obrigava a fazer uma cesárea. Mais uma vez entra a questão cultural e o quanto precisamos do feminismo.

Eu não sou médica e não quero discutir se a mulher estava ou não colocando a vida do bebê em risco. Mas é mais do que sabido que muitas, muitas mulheres não podem escolher o parto natural (que não tem este nome à toa) por conta de médicos e convênios que não podem perder tempo com mulher em trabalho de parto – porque demora, não é. Cesárea parece ser mais chique do que ficar fazendo força até lhe sair um bebê. Mas se você ler sobre o assunto vai entender que as cesáreas são mais comuns no Brasil pelo fator cultural, prático e monetário da coisa.

É claro que existe o lado militante do parto normal – que chega até ser chato -, mas a luta deles é muito válida. Porque as mulheres precisam sim estar aptas, livres e confortáveis ao decidir de que forma querem que seus rebentos cheguem ao planeta. Médicos, hospitais e convênios precisam estar mais preparados para essas escolhas. E se a escolha não for a ideal para aquele momento, os profissionais da saúde precisam atender essa mãe de uma forma em que ela compreenda que a escolha dela não é a melhor. Pelo o que eu li – e posso estar errada -, não foi o que foi feito neste caso. E asseguro que este não foi o único.

Precisamos do feminismo. Homens e mulheres. Estourem a bolha.

Querida Fulana do BBB

Querida Fulana do BBB,

Tomara que nada na sua vida dê certo, estou realmente torcendo. Que um dia você tenha o privilégio e a satisfação que é ser uma bailarina. Fofa, vai ter que aguentar coisas piores/melhores que a prova do líder. Vai ter que se esforçar mais do que na prova do anjo. Vai chorar mais do que em dia de paredão. Mas, pelo menos, você seria feliz.

Fulana, sabe que, se nada der certo na minha vida, eu viro ex-BBB?

Sobre 195 dias

Foi muito difícil entrar naquele avião, sair do meu casulo e andar sozinha. Andar sozinha numa cidade diferente, em um país que não é o meu, num continente distante. Eu achava que não tinha nada que me prendia. Mas, agora, eu sei que eu tenho tudo ao que quero me prender.

Muitos dias e noites já se passaram e eu vivi. Vivi cada um, senti cada um. Quando as coisas são boas neste tipo de experiência, elas são muito boas. Quando são ruins, são muito ruins. Eu realmente estou amando cada segundo, porque é o tipo de oportunidade que mexe com a gente. E eu gosto que mexam comigo.

Tem mexido com o meu cérebro. Não é fácil se expressar em outro idioma, ainda mais quando se é o tipo de pessoa que não tem problemas com as palavras. Tenho revisto conceitos, ideias, imagens, vontades, tentativas, perspectivas.

Tem mexido com os meus olhos. O olhar parece ser mais humano agora porque eu fico pensando no que as pessoas estão pensando sobre mim. Será que elas sabem que eu não sou daqui? Por isso, aprendi a tentar enxergar as pessoas como pequenas histórias ambulantes que não necessariamente precisam ser contadas.

Tem mexido com a minha boca. Em toda essa cidade, existe apenas uma única pessoa em que confio e no meu dia-a-dia, convivo e convivi com muitas outras. Gente de todos os cantos do planeta. A gente nunca sabe o que esperar de alguém, então tenho guardado muitas coisas pra mim. Tenho aprendido a ficar calada, a não ser tão aberta, a tentar falar apenas na hora certa.

Tem mexido com o meu coração. A distância tem provocado momentos de uma coisa que eu não conhecia tão a fundo: a danada da saudade. É uma coisa que dói, que queima, que me aperta, me faz chorar. A distância tem sido minha maior inimiga e eu luto todos os dias contra ela. Porque nunca havia passado pela minha cabeça que fosse possível sentir tanta falta. Falta das pessoas, falta do cachorro, falta dos ambientes, falta dos costumes, falta das comidas, falta dos problemas. Coração fica em caquinhos quando vejo pessoas que gosto juntas e eu não estou lá. Coração fica em caquinhos quando acho que certas pessoas, aos poucos, não estão sentindo minha falta; estão se acostumando com a minha ausência. Mas, em contra partida, coração pulsa forte quando faço coisas geniais por aqui; quando vivo momentos especiais; quando fico perto de coisas que amo e que só tem aqui. O coração tem sofrido. E tem sido felicíssimo.

Tem mexido com as minhas pernas. Como se anda nesta cidade! Anda muito, fica-se muito de pé, corro muito atrás de ônibus. No fim do dia, haja pernas. Mas são essas pernas que aguentam cérebro, olhos, boca e coração. São essas pernas que têm me mantido forte aqui e que me levam para lugares incríveis, para memórias inesquecíveis, pra uma experiência surreal.

Eu transbordo de curiosidade para saber como é que vai ser o depois. Como é que vai ser voltar e abraçar as minhas pessoas, andar nos meus ambientes, ser a nova pessoa que eu sou junto da parte que eu deixei guardada no meu quarto.

Vejo as fotos antigas e tenho certeza: eu quero voltar pra casa. Mas eu ainda tenho muito o que fazer aqui.

Não me esqueçam.

Para o passageiro do 47

Eu vi seu ônibus passar pela avenida, hoje, e eu me lembrei que perdi as contas de quantas vezes te ensinei a voltar pra casa. Depois, eu passei em frente a uma lanchonete em que fomos e tive a sensação de ver a gente ali. Porque às vezes parece que eu esqueço seu rosto, parece que ele esvai nas lembranças; mas eu não esqueço de você.

Acontece que eu estou tentando colocar tudo em forma de memória boa, mas a saudade tem dificultado o trabalho do tempo. Sim, eu sei, tem pouco tempo que você se foi; mas, sabe que me parece uma imensidão; um rio de água espessa e correnteza forte, que me joga pra margem e me faz lembrar da realidade.

Não consigo saber o que é melhor ou pior, o tempo vai escolher. Ter notícias suas ou apenas viver longe, sob a sombra da memória boa ainda não construída. Mas a cidade continua sem você, seu ônibus vai continuar a passar e eu vou continuar a ver a gente na lanchonete. Não me pergunte por que, mas mesmo batendo a cabeça na margem as coisas estão sendo assim.

Eu não sei se te amo, se te adoro, se gosto de você. Eu sei que sinto sua falta. Porque a gente – eu e a cidade – estamos seguindo em frente. Olho pros lados, pra trás e você não está, e eu continuo andando nessa direção chamada não sei. Mas eu sinto sua falta. Eu sinto muito, eu realmente sinto.

Você chegou e não mudou nada. E isso foi crucial. Você apenas tornou tudo melhor. O caminho do meu eu ficou até mais claro.

Seu ônibus passou de novo na avenida.

Os Caios Castro da vida

Incomodei-me muito com a declaração dada pelo ator Caio Castro sobre as fotos dele que uma garota deixou vazar para a mídia. Nas fotos, Caio está na cama. Em uma delas, o ator está nu e de costas. Já na outra, ele está meio deitado, meio sentado, mexendo no celular e aparentemente sem camisa. Caio, que tem 24 anos, disse: “Quem fez o papel de vagabunda foi ela.”. E teve gente que concordou, aplaudiu.

Eu fico imaginando se, na mesmíssima situação, ao invés de Caio Castro fosse alguma atriz. Se fosse uma mulher que tivesse fotos meio sentada, meio deitada em uma cama, sem blusa e apenas coberta com um lençol, e mexendo no celular. Se fosse uma moça de 24 anos que estivesse de costas e nua, em uma foto vazada por um cara qualquer, que tivesse passado uma noite qualquer com ela. Não muito devagar podemos concluir que ela seria taxada de vagabunda, teria “feito papel de vagabunda” como Caio diria. No fim de qualquer história, as vagabundas sempre somos nós.

Porque uma atriz, uma mulher, não pode sair por aí e transar com alguém por uma noite; mas um ator, um homem, um Caio Castro pode. Ele é o gostosão do momento, até a minha avó sabe. Porque o homem, ainda mais sendo famoso e gostoso, não está fazendo nada de errado ao curtir sua vida, a pegar alguém, se divertir com esse alguém que encontrou por aí. Mas, pensem: e se fosse uma mulher? E se fosse com uma atriz? Como a assessoria de imprensa dessa moça não estaria trabalhando para reverter a situação. Reverter, sim, porque, afinal, é muito constrangedor ter fotos do depois de uma transa divulgadas. É coisa de vagabunda mesmo, de mulher que não se dá respeito, que não se valoriza, que é rodada.

Obviamente, divulgar fotos de uma pessoa – famosa ou não – sem que ela consinta demonstra uma grande falta de caráter de qualquer pessoa; seja ela um homem ou uma mulher. Mas dizer que fez “papel de vagabunda” é forçar muito a barra do machismo nosso de cada dia. Porque os Caios Castro da vida estão por aí, pegando todas. Já as anônimas, precisam se resguardar porque qualquer vacilo vai fazê-las interpretar o papel de vagabundas. E é de vagabunda para baixo. Porque quem transa sem estar namorando é vagabunda. Quem transa com cara famoso é vagabunda.

Nada do que foi mostrado nas fotos do Caio é inédito. Na TV ou nas redes sociais do ator, é possível ver fotos similares. Com seu papel na novela, um médico que vive se pegando com uma advogada e que, recentemente, eles tiveram um vídeo deles transando em um provador de loja vazado; vive aparecendo nu e, se não tem sexo envolvido, ele mal aparece. No último domingo, o ator apareceu no programa Esquenta, da Regina Casé, dançando e sensualizando com a música do Bonde das Poderosas, da Anitta. Eu não estou nem aí pra carreira artística dele, ele faz o que bem entender. O problema foi o julgamento machista.

Essa combinação – personagem com apelo sexual + dança sexy- fez com que o nome de Caio bombasse nas redes. Não se falava em outro nome. Tenho certeza que as mulheres admiram Caio, mas não por seu talento – confira o desempenho do ator na novela das 21h – e muito menos pelo cérebro. Quando foi que Caio Castro deu alguma declaração relevante ou interpretou algum personagem inesquecível?

As mulheres apenas admiram o pedaço de matéria que Caio Castro é. Admiram apenas os músculos bem trabalhados em centenas de horas de malhação. Não sabemos quem ele é de verdade. Visualmente, Caio Castro é agradabilíssimo. É um cara muito bonito, um gostosão e com um sorriso galanteador. Eu confesso que concordo com esses elogios que acabei de fazer a ele. Se eu estivesse em uma balada, fosse cantada por ele e ele me convidasse pra fazer alguma coisa por aí, acho que nem pensaria muito e eu topava. Não só eu, mas muitas, muitas mulheres topariam. Mas, não. Não mais. Agora, se, hipoteticamente, essa cena acontecer, eu diria não pro Caio Castro. Eu digo não pros Caios Castro da vida. Primeiro porque eu não tolero machismo e, depois, porque é preciso muito mais que pares de músculo para me atrair. Conheço muita gente que também diria não por estes mesmos motivos.

O problema é que existem muitos Caios Castro por aí. Pode ser dificílimo reconhecê-los logo de cara ou fugir do julgamento deles. Mas ser livre não tem preço e não vai ser um dos Caios Castro dessa vida que vai nos desanimar.

Vocês ainda sonham?

Às vezes, pensar diferente das pessoas é simplesmente irritante pelo simples fato de que é gostoso encontrar alguém (ou alguéns) que divida as mesmas opiniões e vontades. E isso vai da banda preferida até ideais de vida; passando, claro, pelas coisas banais e sérias.

Tenho observado, ultimamente, as pessoas esperando pouco da vida. E isso acontece com frequência. Uma frequência que me levou a questionar a mim mesma, a rever aquilo que espero e projeto pro futuro. Claro, é uma visão da minha perspectiva de vida. Eu vejo as pessoas, pouco a pouco, extinguirem seus sonhos e desejos porque eles não dão dinheiro. Ou então, diminuindo-se porque não têm sorte, não têm foco, não têm forças para assumirem os riscos de estarem correndo atrás de um sonho.

E eu pergunto: vocês ainda sonham? E eu alerto: sonhos não dão dinheiro mesmo. Sonhos são feitos para serem realizados, perseguidos, mesmo se não acontecerem. Não foram feitos para serem colocados dentro de cofres e adesivados com cifrões. De certo que não.

Dinheiro não deveria ser objetivo e trabalho não deveria ser obrigação. Obviamente, esse é o maior clichê da humanidade. Mas, se a gente pensa dessa forma, as chances de nos transformarmos em pessoas vazias e sem um pingo de graça é muito grande. Não podemos subestimar os clichês.

Eu entendo que vivemos dias difíceis e envoltos em um sistema que nos corrói, dia após dia. Não é fácil lidar com isso. Eu sei, eu vivo no mesmo mundo que todo mundo. Mas a gente não pode se entregar, moldando nossos sonhos conforme o andar do capitalismo. De jeito nenhum!

Eu me nego a olhar para mim mesma de forma fria, podando meus sonhos como se fossem as plantas de um jardim de condomínio. Eu me nego a diminuir as minhas capacidades só porque a vida tem se mostrado difícil.

Tem coisas muito mais difíceis. Mas eu, pelo menos, vou continuar sonhando.

Ajoelhadores ou livres? Eis a questão

Como telespectadora da série Game Of Thrones e leitora dos livros da saga que a inspirou, As Crônicas de Gelo e Fogo, sempre observei as atitudes machistas de todos os personagem. Não me escandalizei ou deixei de ler/assistir por isso, afinal, trata-se de uma trama histórica, que se passa na Idade Média. Porém, esse fato não era algo que me deixava totalmente confortável, pois as atitudes, comportamentos e possíveis diálogos foram, um dia, a realidade de muitas mulheres.

Apesar de estar sempre incomodada (assisti todas as temporadas e já li os dois primeiros livros e estou no início do terceiro), não acreditava – ou não queria acreditar, seja como for – que o autor, George R. R. Martin, dessa obra de ficção (ao meu ver, tão genial) fosse deixar a questão do machismo por isso mesmo, apenas como algo que acontecia na época. Que não fosse, em algum momento do enredo, discutir o tema ou colocá-lo sob perspectiva, por meio do olhar de algum personagem ou de qualquer outra forma que lhe fosse conveniente.

Ontem, me deparei com o diálogo entre Jon Snow – um filho bastardo de um senhor feudal importante, que, por conta disso, não pode levar o sobrenome do pai e abdicou sua vida para fazer parte de uma corporação que protege os Sete Reinos – e Tormund Giantsbane – um homem que pertence aos chamados “homens livres”, que não se curvam ao(s) rei(s) dos tais Sete Reinos e, muito menos, às leis e convenções. Vou reproduzir o diálogo, que está no terceiro volume da saga, A Tormenta de Espadas, em dos capítulos de Jon Snow:

– Você (Jon Snow) agora é um homem livre, e Ygrette, uma mulher livre. Onde está a desonra se dormirem juntos?
– Ela pode engravidar.
– Sim, pode-se ter esperança nisso. Um filho forte ou uma menina cheia de vida e risos, beijada pelo fogo, (Ygrette é ruiva e o “povo livre” chamam as pessoas ruivas assim) e que mal há nisso?
As palavras falharam-lhe no momento.
– O menino… a criança seria um bastardo.
– Os bastardos são mais fracos do que as outras crianças? Mais enfermiços ou sujeitos ao erro?
– Não, mas…
– Você mesmo é um bastardo. E se a Ygrette não quiser um filho, ela vai até uma bruxa qualquer dos bosques e para beber uma taça de chá de lua. Você não tem nada a ver com isso, depois de a semente ser plantada.
– Não serei pai de um bastardo.
Tormund balançou sua cabeça desgranhada.
– Vocês, os ajoelhadores, são grandes bobos. (…)

Pra mim, esse diálogo foi um grande soco com luva de pelica. E parabenizo George R. R. Martin. As Crônicas de Gelo e Fogo compilam um aglomerado de personagens que são muito ricos em questões que não dizem respeito apenas ao período medieval. De alguma forma eles estão inseridos nos tempos atuais.

O que mais me impressionou foi o fato de que nunca, até então, ninguém tinha questionado ou criticado o sistema instalado. Todos aceitam a total submissão da mulher e os votos sagrados do matrimônio, que quase nunca acontecem por amor. Traições são realizadas, a todo momento; mas o que tem valor mesmo são os filhos, as alianças e  os frutos do casamento. E foi justamente um personagem que pertence ao grupo chamado de “homens LIVRES” que criticou, que vê a sociedade sob uma ótica igualitária. 

Apenas os LIVRES podem se relacionar com quem querem, dormir com quem querem. Não apenas os homens livres, as mulheres livres também. Até a questão do aborto entrou na discussão e, segundo Tormund, as mulheres livres têm autonomia sob seus corpos. (Um parênteses: é claro que a questão do aborto é delicada e a ver com muitas coisas e não só com a autonomia de cada ser humano sob seu corpo – que na minha opinião é a principal).

Para finalizar, Tormund diz “os ajoelhadores são grandes bobos”. Ele estava se referindo ao fato de Jon Snow e as outras pessoas que não pertencem aos homens livres se ajoelharem e jurarem fidelidade aos seus reis e, consequentemente, obedecem leis e convenções que nem sempre correspondem aos reais desejos e anseios dos ajoelhadores.

E nós? Não continuamos com esse comportamento de ajoelhadores, mas jurando que alcançamos os homens livres? Defendemos tanto a liberdade, mas julgamos aqueles que realmente a utilizam e podamos nossas vontades por puro autopreconceito?

Fica a reflexão.