Resposta ao Hebert Viana
Sim, Hebert Viana, hoje eu joguei tanta coisa fora. Mas, tanta coisa! E vi mesmo o meu passado passar por mim.
Cartas e fotografias, gente que foi embora. E gente que ficou e sempre ficará.
E não há como discordar: a casa fica bem melhor assim!
Que o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu, não há dúvidas, caro Hebert. E lendo aqueles bilhetes, eu lembro do que fiz e de todas as coisas que eu vivi. Tantas coisas bonitas.
Quem não quer ver o mais distante, sem saber voar, pra mim, simplesmente não quer viver. Desprezar as asas que você nos dão é covardia.
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.
Ah! os bailarinos, Hebert. Ah! os bailarinos!
De janelas abertas
A vida é uma coisa louca, que tem me causado inúmeras sensações. E eu estou atrás delas. Estou num início de nova fase, que muito esperei e, obviamente, nada tem saído como eu havia imaginado que seria. Isso não é uma reclamação, e sim uma exaltação, pois encarar situações novas tem sido um sabor gostoso de provar.
A capacidade que as pessoas têm de surpreender é enorme. Tanto as pessoas que já conhecia, como aquelas que acabei de conhecer e aquelas que passei a conhecer melhor têm feito isso diariamente, voluntariamente ou não. Da mesma forma que estou sendo agraciada pelas surpresas das pessoas em minha volta, quero estar surpreendendo também.
Claro, somos surpreendidos ou para o bem ou para mal, entretanto quando me decepciono com alguém, procuro não encarar como derrota pessoal ou mesmo falta de caráter do próximo. As pessoas (e me coloco neste grupo) fazem escolhas, tem seus problemas e nem sempre é uma boa hora. Dá para aprender muito com isso. O sofrimento ensina sim e eu ando aprendendo muito com os meus. Tenho me sentido mais leve.
Conhecer é um verbo que deveria ser conjugado mais vezes por nós. Nada tem sido mais gratificante para mim do que conhecer pessoas, me desprender dos meus preconceitos e deixar minhas janelas abertas para essa troca incrível de experiências que é conhecer as pessoas com suas devidas imperfeições e, automaticamente, se autoconhecer também.
Querer viver novas experiências, com pessoas novas, não significa esquecer e deixar para trás aqueles que ajudaram a construir a nossa história. Nunca! Não é preciso estar 100% do tempo perto fisicamente, para estar 100% perto emocionalmente. A vida é muito mais que isso. A vida é uma coisa louca, que causa inúmeras sensações. E eu estou atrás delas.
A Vida na Hora
de Wislawa Szymborska
A vida na hora.
Cena sem ensaio.
Corpo sem medida.
Cabeça sem reflexão.
Não sei o papel que desempenho.
Só sei que é meu, impermutável.
De que se trata a peça
devo adivinhar já em cena.
Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando,
é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.
Não dá para retirar as palavras e os reflexos,
inacabada a contagem das estrelas,
o caráter como o casaco às pressas abotoado-eis os efeitos deploráveis desta urgência.
Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira
antes ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez!
Mas já se avisinha a sexta com um roteiro que não conheço.
Isto é justo-pergunto
(com a voz rouca
porque nem sequer me foi dado pigarrear
nos bastidores).
É ilusório pensar que esta é só uma prova rápida
feita em acomodações provisórias. Não.
De pé em meio à cena vejo como é sólida.
Me impressiona a precisão de cada acessório.
O palco giratório já opera há muito tempo.
Acenderam-se até as mais longínquas nebulosas.
Ah, não tenho dúvida de que é uma estreia.
E o que quer que eu faça,
vai se transformar para sempre naquilo que fiz.
O aborto de anencéfalos – um delicado debate de tabus
Amanhã (quase hoje) o Supremo Tribunal Federal irá votar se as mulheres grávidas de fetos anencéfalos poderão interromper a gravidez sem a necessidade de uma autorização judicial. Assunto importante, delicado, polêmico e que nos dá a abertura para uma discussão ampla sobre muitos tabus da sociedade brasileira.
Em questões como essa não dá para ter uma resposta em cima do muro. Ou você é a favor ou se é contra. Não há outra escolha. Porém, antes de formarmos alguma opinião é preciso analisar o assunto de todos os lados. A partir daí, cada um pode ter a sua opinião, fundamentada e com bons argumentos. É assim que a democracia vive, por meio da liberdade do pensamento.
Entretanto, vejo e ouço por aí tantas opiniões fundamentadas no nada e coberta por uma camada humanista, mas que na verdade reflete o conservadorismo e o egoísmo de algumas pessoas.
É claro que apenas com esta última frase já deixo implícita a minha opinião. Não consigo ser imparcial e muito menos achar as palavras corretas que expliquem o sofrimento de uma mãe e de uma família que deseja, planeja e ama um feto, que não vai sobreviver ao parto. É claro que o conceito de vida é relativo e cada um tem o seu, mas prorrogar um sofrimento imensurável por nove meses não fere o conceito de vida também? Ser a favor da vida é deixar uma mãe que sabe que o filho morrer, passa pelo parto e depois enterra a criança?
Não quero convencer ninguém a pensar como eu. Só não entendo como ainda o Estado permite esse tipo de situação, que não faz sentido nenhum. Isso volta naquele assunto que falei no post sobre a Páscoa, sobre o fato de o Brasil ser um Estado declaradamente laico. Claro que nesta questão do aborto de anencéfalos – e mesmo do aborto em si – a influência do pensamento religioso é notória. Até quando vamos viver cegados pela fé? Até quando a fé será usada como desculpa para com aquilo que as pessoas não têm coragem de assumir?
Termino este texto com um trecho da coluna da sempre excelente Eliane Brum, para a Época:
Espero que, depois de quarta-feira, não caiba mais a nenhum de nós opinar sobre a escolha de uma mulher numa situação dolorosa como essa. Aquelas que decidirem levar a gestação até o fim continuarão sendo acolhidas em sua decisão – e aquelas que quiserem interrompê-la também serão amparadas pelo Estado. Ponto.
Feliz primeiro dia do jornalista
Há uma semana estávamos todos bem-vestidos. Saltos altos, gravatas, gel e spray no cabelo, maquiagem, vestidos e ternos. Sorrisos estampados, famílias felizes. Tudo regado a Sex On The Beach, Mojitos, Tequilas e um sentimento tão terno que, talvez, não tenha nome. A noite foi boa. Celebramos os motivos que nos levaram até ali: as reportagens, os offs, os entrevistados, os leads, a revisão de texto, as sonoras. Celebramos o fato de nossas vidas terem se cruzado neste ponto crucial, nesta transição de adolescência para a “adultescência”, da “adultescência” para o futuro.
Futuro. Palavra tão pensada, tão dita, tão esperada. Chegamos nele, meus amigos. Passaram os quatro anos da graduação, colamos grau, fomos ao baile. E agora, podemos ligar as asas e sair em direção aos nossos sonhos, conseguir realizar os desejos e dar orgulho àqueles que sempre estiveram ao nosso lado.
Hoje, uma semana depois, é nosso primeiro Dia do Jornalista realmente sendo jornalistas. O jornalismo ainda é uma profissão glamourizada. Todo mundo acha que vivemos em um mundo cheio de champagne e conveniências. Mal sabem o que é que passamos. É perrengue atrás de perrengue. Engolimos sapos atrás de sapos. Assim como em toda e qualquer profissão. Mas, não posso negar que temos o privilégio e a responsabilidade de lidar com a informação, com a comunicação. E mais, um compromisso com a sociedade. E tenham certeza de que disso sabemos bem, não se preocupem!
Hoje, uma semana depois, no nosso primeiro Dia do Jornalista realmente como jornalistas, me pego pensando quantos de nós conseguiremos voar e pousar em nossos sonhos. Quantos de nós poderemos ser efetivos na melhora da nossa sociedade? Quantos de nós vamos nos destacar nesse mundo jornalístico? Quantos de nós vamos conseguir nos empregar nos veículos que sempre sonhamos? Quantos de nós saímos empregados do estágio?
Difícil responder, difícil.
Portanto, hoje, uma semana depois, no nosso primeiro Dia do Jornalista desejo aos meus colegas de profissão e amigos da vida muito sucesso. Que o café nunca acabe, pois o que queremos mesmo e quebrar a cabeça, por horas, para achar as palavras certas para aquela reportagem. Sabedoria para aproveitar as oportunidades e saber escolhê-las. Serenidade para saber gerenciar os momentos de crise. Atenção para checar as informações corretamente. E acima de tudo, desejo que a cada noite, a gente coloque a cabeça no travesseiro, apesar de todos os problemas, tendo a certeza de que fizemos a escolha certa. Nada melhor do que uma consciência tranquila.
Hoje, uma semana depois, no nosso primeiro Dia do Jornalista já não sei onde muitos de vocês estão. Berlim, Natal, São Paulo, Campinas, São Bernardo do Campo. Só sei que sempre vou me orgulhar da profissão que escolhi e dos amigos que com ela ganhei.
Hoje, uma semana depois, feliz primeiro Dia do Jornalista!
Algo de Páscoa
Quero falar sobre a Páscoa, mas não sei como começar. Não quero parecer chata, mau-humorada ou qualquer coisa assim, embora todo mundo tenha um pouco. Entretanto, parece ser impossível.
Não gosto de peixe, não sou das maiores fãs de chocolate e não tenho religião. Sim, a Páscoa não é um prato cheio para mim e está quase ali com o meu desgosto com o Natal. Quase um empate! Claro, sem hipocrisias, vale a pena ficar em casa. Dá para descansar, assistir aos maravilhosos programas vespertinas na TV brasileira, dormir, viajar e sair por aí.
Mas, a cada feriado religioso me pego pensando sobre algumas coisas. Talvez, eu precise me informar melhor, porém quero compartilhar minhas reflexões que, possivelmente, podem ser tortas. Mas, é compartilhando, debatendo, pensando sobre que a gente conhece outros pontos de vista e podemos aprimorar nossa forma de pensar.
Pois bem, em certa altura da vida aprendemos que o Estado brasileiro é laico, ou seja, não tem vínculos com religiões. Não é o que vivemos e temos notícias diárias das bancadas religiosas no Congresso Nacional. Tudo bem que a maioria é católica e que o número de evangélicos cresce a cada a dia. Até aí, eu respeito e quero respeitar, pois também quero que prezem o fato de eu não ser religiosa. A impressão que eu tenho é que sou obrigada a “comemorar” a Páscoa. Ninguém (ou quase) trabalha, as opções de lazer e cultura estão reduzidas e, muitas vezes, seguimos tradições familiares. Acho que em uma sociedade democrática (de verdade, com democracia de verdade!) as pessoas poderiam optar por trabalhar ou não. Merecemos descansos, sim! Mas, nem os descansos precisam se tornar obrigações ou pré-agendados. Parece que estou obrigada a me sentir cansada e descansar na “sexta-feira santa”.
Outro ponto – que não é só na Páscoa que me incomoda, mas aproveitarei o ensejo – é o fato de as pessoas que exercem uma religião não respeitarem o fato de eu (e de monte de gente) não acreditarmos que seremos salvos e que somos abençoados 24 horas. Não acreditamos e fim. Não seremos catequizados facilmente e o respeito entre as religiões e quem não tem uma deveria ser mútuo. Porque eu acho possível gostar, conviver e amar as pessoas sem concordar com elas.
Viva o renascimento das ideias, dos valores, das opiniões. É, talvez, tenha algo de Páscoa nisso!
Sobre o coletivo, as oportunidades e o Instagram
Viver em sociedade não é uma coisa fácil. A gente chega nesse mundo e tudo já está pronto: o sistema, os governos, as tradições, as imposições, as religiões, as classes sociais, os deveres e os direitos. Não escolhemos o caráter das pessoas de nossa família e muito menos quais condições financeiras teremos.
E começamos a vida assim, partindo de um princípio pré-determinado pela combinação dos acasos de nossos antepassados e, de certa forma, conformados com a realidade que nos foi dada. O mundo que vamos conhecer depende totalmente das oportunidades que temos na vida e em um país tão desigual socialmente como o nosso (sim, ele é nosso) Brasil é muito fácil não chegar aonde pretendemos e sonhamos. Mesmo assim, com orgulho digo: há gente que supera!
Foi-nos ensinado, desde sempre acho, a nos conformar com nossas posições sociais e viver somente nesta esfera, quase como as castas da sociedade indiana. Pobre que é pobre só tem amigo pobre e tem orgulho disso. Rico que é rico só frequenta a alta sociedade e tem orgulho disso. E a classe média, bem a classe média esbanja hipocrisia e dança a cada situação, se orgulhando de: já ter o que os ricos têm, mesmo sendo “humildes”; e de não esbanjar como fazem os ricos, pois ganham seus salários com os seus suores, assim como os menos desprovidos. Claro que não dá para generalizar, afinal, nem todo corinthiano é bandido e nem todo palmeirense é porco, não é mesmo?
Porém, falo sobre o que vejo. Não basta apenas sermos pessoas legais, de um coração bom, que arruma o armário e doa as roupas velhas. Não é esse o protótipo de pessoa boa que construí. Obviamente, é um começo, pois muitos nem isso fazem. Quanto mais, melhor. Mas, é preciso ir além de apenas “ajudar”. São nos pequenos detalhes do cotidiano que vemos quem é ou não é uma pessoa boa, preconceituosa e de virtudes.
Não basta sentar na mesa do bar e fazer os outros rirem para ser “gente fina”. É preciso querer que a sociedade – brasileira, principalmente, pois aqui vivemos – seja justa. Estamos longíssimos disso. Mas, por que não: cada vez mais igualitária?Por que o mundo que eu conheço não pode ser o mesmo mundo que uma pessoa com a mesma saúde que tenho, mas que vive em uma periferia, conhece? Por que eu não posso conhecer o mundo que uma pessoa que mora em uma cobertura triunfal da avenida Atlântica conhece? O que eu fiz para merecer as coisas que tenho e as que não tenho? E você?
Às vezes, sinto que a maioria das pessoas esquecem que vivemos no coletivo e um uma democracia. Determinadas pessoas pensam que outras determinadas pessoas não podem usar o Facebook, por exemplo, apenas por razões preconceituosas. “Que fiquem no Orkut”, dizem. “Orkutizar” virou um verbo de deboche, que rebaixa as pessoas que agora chegam ao chamado mundo das mídias sociais. Um verbo horroroso. Por que o filho da sua empregada não pode usar o tal do Instagram?
Essas situações são tão pequenas diante de outros problemas sociais que vemos e vivemos a cada dia – ninguém está livre de nada e todo mundo critica e generaliza todo mundo -, mas que pode ser usado como uma metáfora para a verdadeira face da sociedade que vivemos: conservadora, hipócrita e preconceituosa. Cada dia mais.
Hugo Incrível Cabret
Sempre achei que os filmes deveriam ser apaixonantes não por querermos viver aquelas histórias, mas sim que, por meio delas, pudéssemos – de alguma forma – dar mais valor a nossa e assim querermos vivê-las com mais intensidade. Alguns filmes me dão essa reação de uma forma incrível e inexplicável. Dois exemplos: Juno e O Curioso Caso de Benjamin Button. Agora, posso adicionar mais uma película a essa lista: A Invenção de Hugo Cabret.
Martin Scorsese é o tipo de diretor de cinema que merece um beijo forte na bochecha. Que capacidade de dar reviravoltas! A escolha dos atores foi essencial. Impossível não se apaixonar por Chloë Grace Moretz (Isabelle) e Asa Butterfield (Hugo). Não consigo esquecer os sorrisos dessas crianças. Tomara que eu não esqueça jamais.
O filme me fez lembrar das coisas boas da vida, das pessoas que se aproximam por acaso e permanecem sem acaso nenhum. Fez lembrar-me o quanto a vida é única e merece nosso esforço para fazermos dela um sonho. Lembrei-me do quanto acredito no ser humano, mesmo vendo diariamente tanta crueldade por parte da humanidade. Ainda existem pessoas de bem! Ainda existem pessoas com bons propósitos!
E é isso. Ninguém está no mundo à toa e cada um tem seu propósito. E como Hugo disse: ”Perder o seu propósito é como estar quebrado”. Quebrados, não funcionamos. E sem funcionar, não somos felizes e não melhoramos o mundo para os futuros propósitos.
MT
Talvez, a Dama de Ferro não seja tão de ferro assim. Ou se a casca era de ferro, por dentro havia de ter um ser humano que, por mais que não admitisse, tinha sentimentos. Essa foi a impressão que o filme The Iron Lady (A Dama de Ferro) me deixou. Ressalto que, quando assisto filmes baseados em fatos, procuro me abster de opiniões e focar na narrativa construída.
Em alguns momentos, The Iron Lady lembrou-se The King’s Speech. Por ser britânico? Sim. Por mostrar a construção de uma figura pública de sucesso? Sim. Por querer fortalecer a fama indestrutível dos ingleses? Sim. Por testar meus conhecimentos históricos? Sim. Porém sem tanta poesia. The King’s Speech deixa bem explícito a amizade entre o rei e o seu “fonoaudiólogo”. E acho que isso faltou em The Iron Lady. Faltou mostrar o que havia por trás de todo o ferro que envolvia Margaret Thatcher, seus conflitos pessoais em cada decisão difícil (politicamente falando) em ser tomada. Senti (I’m sorry, Lady Thatcher, [un]fortunatelly I feel) falta de sentir que havia uma pessoa no comando da Grã-Bretanha e não só uma mulher firme (thank you, Denis Thatcher) e forte.
A mulher Margaret Thatcher só aparecia com seus sentimentos desnudos para o público já velha e sentindo (sim, Lady Thatcher, a senhora tem sentimentos) falta de seu falecido marido e do filho distante. Será que não havia um sentimento como este, na declaração de guerra à Argetina, a guerra das Malvinas? Será que as cartas que ela mandou ás famílias dos soldados mortos em combate foram suficientes para sufocar a dor da perda? Faltou uma Margaret Thatcher mais humana.
Pontos fortíssimos
A narrativa foi construída de uma forma sensível e atraente. Misturar a cronologia dos fatos de acordo com o presente da personagem e a fazer relembrar dos seus principais momentos de vida foi o segundo maior acerto de Phyllida Lloyd, a diretora do filme (a mesma de Mamma Mia!). Obviamente, o maior acerto do filme é Meryl Streep.
É incrível como Meryl se transformou em outra pessoa neste longa-metragem. Eu tentava olhar para ela, mesmo sem a caracterização de Margaret já idosa, e não consegui enxergar a Meryl Streep. Ela nos presenteia com cenas de tirar o fôlego, tanto nas com falas longas e duras quanto nas de silêncio absoluto e mortal e de sensibilidade. O filme vale por Meryl.
Aliás, como o filme não nos surpreende por já sabermos seu desfecho de certa forma, o fator surpresa fica todo por conta de Meryl. Ao termos uma mínima ideia do que irá acontecer, a única coisa que pensamos e tentamos imaginar é o quão maravilhosa será Meryl Streep ao interpretar.
“Nunca vou ser como uma dessas mulheres, Denis, que ficam caladas e bonitas nos braços de seus maridos. Ou distante e sozinha na cozinha, lavando louça. A vida tem que ser importante, Denis. Além da cozinha, da limpeza e dos filhos, a vida tem que significar mais que isso.”
(The Iron Lady)
Carta a Eva Khatchadourian
Cara Eva,
Não, não sei se precisamos mesmo falar sobre o Kevin. Talvez, só sentir seja suficiente.
Assisti ao filme baseado no livro sobre a história da sua família e cheguei nessa conclusão. Apesar de o longa ser um pouco lento, denso e angustiante, podemos sentir, ao menos, um pouco de sua dor. Não deve ter sido pouco, não é?
Não tenho palavras que te confortem ou que expliquem. Apenas gostaria de abraçar-lhe e fazer com que você não se sinta culpada por nada. As coisas, de algum jeito ou de outro, acontecem e, na maioria das vezes, não temos como manipulá-las.
Nada trará aquelas pessoas de volta. Nem mesmo terás chances de voltar no tempo e fazer com que o Kevin não tivesse feito o que fez. Ele deve pagar pelo o que fez e você deve usar sua coragem (aquela mesma que a fez limpar a tinta vermelha jogada em sua casa) e continuar a sua vida. Você pode até pensar que é fácil para mim dizer, pois não sou eu que sofro a cada minuto por cada gota de sangue que o Kevin derrubou. Pode ser fácil mesmo, porém é o que desejo: que você continue a sua vida.
Continue vivendo a sua vida, visitando o seu filho e até esperando que ele volte para o quarto de paredes azuis. Nunca é tarde para recomeços.
Atenciosamente,
Nivia
